meu processo criativo

Atualizado: 3 de nov.

Bom, quem já leu meu primeiro post, já sabe que eu não desenhava quando criança e comecei a fazer isso com 30 anos.

Isso, que hoje é, talvez, uma das coisas que mais me da prazer e orgulho de fazer. Desenhar, pra mim, tem a ver com a minha alma, conexão com minhas emoções, com como estou me sentindo. É sobre mim, totalmente. Sobre a minha vida. Diria que tem a ver com autoconhecimento.

O tempo passou e eu conheci, entendi, aceitei, meu jeito de fazer as coisas, meu estilo. Meus desenhos são muito marcados por hachuras, cheios, vazios. Os geométricos começaram a sair um pouco de cena, ainda que seja um amor meu, e as curvas totalmente orgânicas ocuparam o seu espaço.

Hoje sinto que tudo que desenho realmente expressa aquilo que não consigo mostrar de formas mais óbvias. A arte tomou um significado único pra mim, não apenas na criação, mas na própria forma como eu enxergo, entendo ou critico algo.

Tudo começou com técnicas de criação de rapport. Criei muitas estampas, realmente muitas. O estopim da minha produção em série de estampas foi a pandemia. Criei um desafio para mim mesma de criar uma estampa por dia, a partir do que eu enxergasse pela janela. Eu fotografava, colocava no illustrator e desenhava, com o mouse mesmo, algumas formas, girava a foto pra lá e pra cá e, no final, nascia uma estampa.

Com o passar do tempo eu fiquei um pouco cansada de apenas de desenhar estampas corridas e quis partir para algo que fosse apenas um desenho e sua aplicação, eventualmente, localizada.

No meio do ano passado eu comprei uma mesa digitalizadora. Não usei durante muito tempo, primeiro por falta de tempo, segundo por preguiça de aprender a usar. Durante os 3 anos que desenhei estampas, digitalizei tudo com mouse. O processo sempre foi: desenhar à mão, com lapiseira, fotografar/escanear e digitalizar no illustrator. Na pandemia eu fazia tudo direto no computador porque utilizava fotos e elementos reais e não simplesmente a minha imaginação. Então, no final do ano passado, em outubro, mais especificamente, para o #inktober, eu comecei a desenhar de uma forma diferente. Começa que, claro, eu não me sentia capaz, segundo, eu sequer sabia como começar. Bem, eu recortei um pedaço de papel em formato quadrado e peguei minha lapiseira. Como eu sempre estou ouvindo música, sempre tem algum sonzinho embalando os meus desenhos. Eu olhei para um ponto fixo na minha frente e comecei a riscar o papel. Mexia o papel pra lá e pra cá, girava e a lapiseira eu deixava meio parada. Não olhava enquanto não "acabava" porque não queria sugestionar a minha cabeça a criar alguma forma real/conhecida. Assim nasceram 5 desenhos do inktober, os quais gosto muito e, um deles, virou quadro e almofada e está a venda na Urban Arts.

Senti que esses desenhos do inktober me empoderaram no sentido de me fazer sentir capaz de desenhar ainda mais livremente. Depois desses, nasceram alguns outros. Adoraria coloca-los em quadros, cerâmicas, o que fosse. Acho que, com o tempo, tudo vai se tornar realidade, ao menos quero acreditar nisso.

Com esse texto que, talvez, pode ser o número 1 de alguns outros com esse tema, eu gostaria também de fazer outras pessoas terem coragem de se aventurar por algo que elas "acham" que não sabem fazer. Tudo nessa vida amadurece com o tempo, e quanto mais treinarmos o nosso olhar sobre as coisas, melhor tudo isso será, principalmente a nossa visão sobre nós mesmos, os únicos a quem realmente precisamos agradar. Quanto mais seguros nos tornamos sobre algo, melhor faremos esse algo.

É isso. Até o próximo. Um beijo.

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