design, cultura e antropologia


o design tem sido um tema amplamente comentado pois ele está presente nas mais diversas áreas, inclusive na tecnologia, com nomes bem diferentes dos habituais que já conhecíamos, como design gráfico, design de interiores, design de estampas, de superfícies etc.


essa cultura do design está cada dia mais difundida na tecnologia e a palavra pra isso é PROJETO.

design é projeto, essa é a diferença para a arte, propriamente dita, design é suprir uma demanda de mercado.

quando buscamos soluções para um determinado tema, estamos fazendo um projeto e o design é esse processo em que vamos passar por diversas etapas de entendimento do problema para, então, chegar a uma solução.


mas o que seria cultura do design?

em outro texto eu questiono se "design é cultura?", e concluo com a seguinte frase:

nossos hábitos são nossa cultura e o design que fazemos a partir dela fica com a nossa assinatura.

cultura está diretamente ligada a antropologia.

cultura, segundo o dicionário oxford - google:

- conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes etc. que distinguem um grupo social. - forma ou etapa evolutiva das tradições e valores intelectuais, morais, espirituais (de um lugar ou período específico); civilização. "c. clássica"

- complexo de atividades, instituições, padrões sociais ligados à criação e difusão das belas-artes, ciências humanas e afins. "um governo que privilegiou a c.":


antropologia, segundo o dicionário oxford - google:

- ciência do homem no sentido mais lato, que engloba origens, evolução, desenvolvimentos físico, material e cultural, fisiologia, psicologia, características raciais, costumes sociais, crenças etc.


como podemos fazer uma ligação entre os dois conceitos?

bem, a antropologia é uma ciência e a cultura é a nossa vida cotidiana. a vida acontece conforme costumes e comportamentos da sociedade em que estamos inseridos e a antropologia estuda absolutamente todas as atividades e comportamentos dos indivíduos em questão.


ok, mas onde o design entra nisso tudo?

se o design que fazemos tem nossa assinatura cultural, significa que, para desenvolvermos um design, criarmos uma solução, precisamos entender sobre antropologia, ou seja, como os indivíduos que são nosso público alvo, para a resolução de determinado problema, vivem.

o que essa cultura que queremos atingir tem como costume de consumo, o que pode gerar interesse a partir do que já se tem como dado, dos comportamentos e padrões sociais?

fazer pesquisas é o ideal e elas podem sim ser feitas pela internet. se chamam netnografia.


mas como as estampas são atingidas por isso?

no universo das estampas e superfícies, costuma-se, assim como com as cores (moda em geral), consultar especialistas em tendências. costumamos ter uma sede pelo que vai ser tendência no ano que vem, na próxima estação, tudo isso para nos prepararmos para um próximo lançamento.

na minha opinião, o mercado acaba se tornando mais do mesmo em diversos momentos. não à toa as estampas que mais vemos em lojas de departamento são florais.

ok, nada contra os florais (inclusive tenho uma jaqueta floral rsrs) mas, francamente, podemos muito mais do que isso e, ao final, me parece uma preguiça gigantesca de buscar temas alternativos e mais criativos.


infelizmente, muitas dessas tendências, a maioria ou a sua totalidade, não são pesquisas reais sobre as necessidades humanas ou estudos sobre essas necessidades, etc. o capitalismo nos obriga a consumir coisas que, muitas vezes, nem queremos e essas tendências são meio que "enfiadas goela abaixo".

por que digo isso? porque, levando-se em consideração que o mercado está apenas interessado em vender, ele vai "empurrar" o que já sabe que será aceito, exatamente por uma questão cultural que o capitalismo mesmo criou e vai deixar de lado o que não é comercial, porque a ideia é gerar lucro e apenas isso.


infelizmente bons designs demoram muito a chegar no brasil pois temos dificuldade de aceitar o novo. certa vez ouvi que algo que está acontecendo na europa demora 10 anos para chegar ao brasil e mais 5 para chegar em porto alegre (que é onde nasci e moro atualmente). ou seja, somos - enquanto sociedade - muito conservadores.


claro que há espaço para outros tipos de design, que não o que vemos sempre. alguns designers e empresas vêm mudando esse panorama, trazendo desenhos mais geométricos, assimétricos e abstratos e fazendo uma bela curadoria de cores. para diversos tipos de superfícies.


design não deve apenas seguir tendências e o designers não devem perder o seu instinto criativo para se enquadrar dentro de limites ou caixas mas há de se ter um equilíbrio entre as duas coisas, para que os projetos fiquem viáveis e o designer não perca a sua originalidade!

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